CELEBRAÇÕES AOS DOMINGOS:
07h - 10h - 17h e 20h
previous arrow
next arrow
Slider

Resgatando o Espírito de Natal, o verdadeiro rosto do Papai Noel

Ciente de que o natal acima de tudo é Cristo, o Filho de Deus que arma sua tenda entre nós e assume a nossa carne e condição para sermos filhos no Filho, é importante não perder o essencial desse mistério fascinante. Colado à pessoa do Menino Jesus se destaca no tempo natalino o personagem do Papai Noel, que para muitas crianças se torna o centro do Natal. Inclusive, em quase todas as atividades sociais e beneficentes os agentes se fantasiam de Papai Noel, criando-se uma grande expectativa entre os pequenos pela sua presença distribuidora de brinquedos. Mas quem foi Papai Noel? Qual a sua trajetória como sujeito da história e como símbolo do imaginário natalino?

O símbolo atual têm raízes no arcebispo de Mira chamado Nicolau, nascido em Patara, Ásia Menor (Turquia) em 271, morrendo mártir aos 41 anos. Herdando de seu pai uma fortuna, quando se tornou pastor de sua Igreja foi generoso e solidário, dividindo seus bens, cumprindo à risca o que exigia sua missão ministerial de ser, como bispo pai dos pobre. Ajudou as filhas de um pobre vizinho colocando moedas de ouro nas meias que as pessoas deixavam nas janelas (costume próprio do Natal). Ressuscitou uma criança, queimada, salvou marinheiros de naufrágios e deu testemunho coerente de Cristo derramando sangue por Ele, no dia 06 de dezembro. Graças aos marinheiros e comerciantes, sua história e seu nome foram difundidos, tornando-se Santa Claus para os germânicos e saxões. Na França ficou conhecido como Père Noel e em Portugal, Pai Noel que significa o mesmo. Noel pode ter sido uma corruptela também, de Manuel ou Emanuel, que se refere a um dos títulos de Jesus, Deus Conosco.

O corpo do santo foi levado a Bari (Itália) por mercadores em 09 de maio de 1087. Junto à sua tumba se recolhe ainda nos nossos dias um líquido oleoso que, de acordo com uma tradição popular, cura o reumatismo. São Nicolau é invocado também pelas mulheres que sofrem de esterilidade na Rússia, da qual ele é padroeiro.

Como vemos, ele foi uma pessoa cheia de luz, bondade e ternura, próxima do povo, em especial dos pobres e desvalidos, tendo um carinho muito grande pelas crianças. Mas a transformação de São Nicolau em Papai Noel se deve a um texto poético de autoria de Clemente C. Moore, um professor de literatura grega de nova Iorque. Esse poema, denominado “Uma visita de São Nicolau”, foi escrito para os seus seis filhos em 1822. Já nele encontramos algumas características lendárias: o trenó e renas, a entrada pela chaminé, pois ele morava no Polo Norte em iglus em que a entrada se realiza por um buraco no teto. Outra pincelada decisiva que desistorizou definitivamente a São Nicolau foi o cartoon de Thomas Nast publicado na revista Hasper’s weekys em 1886. Ele aparece em seu design atual, roupa vermelha como a de um cossaco russo e um gorro também vermelho. No Canadá, respeitando a narrativa histórica, em vez de gorro veste mitra episcopal. Com essa nova imagem, o personagem natalino foi cooptado e apropriado pelas empresas que lançavam campanhas publicitárias usando como garoto propaganda o bom velhinho. Tornou-se de um santo presente na história do seu povo e amigo dos pobres  em agente comercial e incentivador do consumismo natalino, que em muito contribui a desviar a atenção do acontecimento da vinda de Jesus Cristo ao mundo. Certamente que podemos imitá-lo na sua gratuidade amorosa oferecendo nossas dádivas aos que padecem de solidão e carências, pois a troca de presentes no dia do Natal ou na véspera não deixa de ser um gesto Cordial e amigo, mas Natal é dar-se a si mesmo como Jesus, que é maravilhoso presente do Pai que nos trona irmãos.

São Nicolau nunca pretendeu sobrepor-se ao Senhor Jesus; pelo contrário, tornou-se testemunha fiel e misericordiosa. Ao colocarmos o personagem Papai Noel no centro do mistério do Natal perdemos o significado profundamente salvífico de encarnação de Jesus e a Boa Nova da Paz do Reino iniciada com o seu nascimento. Seria oportuna uma catequese sensível e amável que contextualize São Nicolau como um modelo de preparação do Natal e anúncio de Cristo, o Homem de Deus, que recupera o eixo da cultura e da mentalidade cristã, voltando ao foco original do mistério natalino.

A vida nova, plena, vem a nós por Cristo, não pelo Papi Noel, e nenhum presente material pode-se igualar à graça da filiação divina e da fraternidade gerada pelo Deus conosco. Que São Nicolau nos ajude a viver com autenticidade o Natal, abertos ao Menino Deus que nasce para nos salvar e nos tornar uma só família.

Fonte: Revista Ave Maria

Paróquia Sagrado Coração de Jesus - Rua Cel. Aurelino,8 - Formiga-MG 37 3321-2955