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Papa renova apelos pelo cuidado da casa comum: “a criação geme”

Mensagem do Papa para Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação se concentra em reflexões sobre o Jubileu da Terra

 

Acolher novamente o plano de Deus para a criação como herança comum, cuidando da biodiversidade, com estilo de vida sustentável, de forma a reconstruir a casa comum e defender os mais vulneráveis. Esse é, em síntese, o apelo do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2020, celebrado ontem, terça-feira, 1º. O Vaticano divulgou a mensagem do Santo Padre para a data.

Com o dia de hoje, abre-se o Tempo da Criação, que termina no dia 4 de outubro, memória de São Francisco de Assis. Este é um período em que os cristãos renovam, em todo o mundo, a fé em Deus criador e se unem na oração e ação pela preservação da casa comum.

Neste ano, o tema escolhido é um “Jubileu pela Terra” por ocasião dos 50 anos do Dia da Terra. A mensagem do Papa se concentra nessa ideia do Jubileu, um tempo sagrado para recordar, regressar, repousar, restaurar e rejubilar, sendo esses cinco pontos o fio condutor de sua reflexão.

“O Jubileu é um tempo de graça para recordar a vocação primordial da criação: ser e prosperar como comunidade de amor”, escreve o Papa, destacando que o Jubileu é um tempo que repassa na memória a existência inter-relacional do homem: o cuidado autêntico da própria vida e das relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros.

Francisco também enfatiza que o Jubileu é um tempo para regressar a Deus: “Não é possível viver em harmonia com a criação sem estar em paz com o Criador, fonte e origem de todas as coisas”. Aqui ele deixa o chamado a acolher de novo o plano de Deus para a criação como herança comum, “um banquete que deve ser partilhado com todos os irmãos e irmãs em espírito de convivialidade; não numa competição desatinada”.

Da mesma forma, o Papa aponta a necessidade de voltar a ouvir a terra, a retornar ao lugar certo na ordem natural, lembrando que o homem é parte, não patrão, da rede interligada da vida. “A desintegração da biodiversidade, o aumento vertiginoso de catástrofes climáticas, o impacto desproporcionado que tem a pandemia atual sobre os mais pobres e frágeis são sinais de alarme perante a avidez desenfreada do consumo”.

Dar repouso à Terra

Falando do Jubileu como tempo para repousar, o Papa lembra que Deus reservou o dia de sábado para que a terra e os seus habitantes pudessem descansar e restaurar-se. Porém, os estilos de vida atuais forçam o planeta para além dos limites: a criação geme, enfatiza o Papa, citando como exemplo a dissipação de florestas, a erosão do solo, o desaparecimento dos campos, o avanço dos desertos, a acidez no mar e a intensificação de tempestades.

“Hoje, precisamos encontrar estilos de vida équos e sustentáveis, que restituam à Terra o repouso que lhe cabe, vias de subsistência suficientes para todos, sem destruir os ecossistemas que nos sustentam”.

Nesse sentido, o Papa considerou que a pandemia que o mundo vive atualmente levou a redescobrir estilos de vida mais simples e sustentáveis. “Foi possível constatar como a Terra consegue se recuperar se a deixarmos descansar: o ar tornou-se mais puro, as águas mais transparentes, as espécies animais voltaram para muitos lugares donde tinham desaparecido. A pandemia levou-nos a uma encruzilhada. Devemos aproveitar este momento decisivo para acabar com atividades e objetivos supérfluos e destrutivos, e cultivar valores, vínculos e projetos criadores.”

Restaurar a Terra

Papa Francisco lembra que o Jubileu convida a restabelecer relações sociais equitativas, restituindo a cada um a sua liberdade e os bens próprios, e perdoando as dívidas dos outros. Nesse sentido, deixou um apelo em prol dos mais pobres:

“Renovo o meu apelo para se cancelar a dívida dos países mais frágeis, à luz do grave impacto das crises sanitárias, sociais e econômicas que aqueles têm de enfrentar na sequência do vírus Covid-19”, frisa o Papa, pedindo ainda que os incentivos para a recuperação se tornem realmente eficazes levando em consideração o bem comum e com a garantia de se alcançar os objetivos sociais e ambientais globais.

Ele também fala da necessidade de restaurar a terra, citando o esforço para manter o aumento da temperatura média global abaixo do limite de 1,5 graus centígrados, como estabeleceu o Acordo de Paris, bem como restabelecer a biodiversidade, tendo em vista a “extinção de espécies e uma degradação dos ecossistemas sem precedentes”. Não falta menção à situação dos indígenas, diante das atividades de extração, por exemplo.

“É preciso proteger as comunidades indígenas de empresas, particularmente multinacionais, que, com a extração perniciosa de combustíveis fósseis, minerais, madeira e produtos agroindustriais, «fazem nos países menos desenvolvidos aquilo que não podem fazer nos países que lhes dão o capital» (LS, 51)”, acrescenta.

Tempo para rejubilar

Por fim, Francisco lembra que o Jubileu é um acontecimento festivo. E se o clamor da Terra se tornou mais rumoroso nos anos passados, o Espírito Santo está inspirando por todo o lado indivíduos e comunidades a unirem-se para reconstruir a casa comum e defender os mais vulneráveis.

“É uma alegria ver tantos jovens e comunidades, especialmente indígenas, na linha da frente para dar resposta à crise ecológica. (…) Temos ainda motivo para nos alegrar quando constatamos como o Ano especial de aniversário da Laudato si’ está a inspirar numerosas iniciativas a nível local e global em prol do cuidado da casa comum e dos pobres”.

O Santo Padre menciona ainda o caráter ecumênico deste Tempo da Criação, exortando a continuar a crescer na consciência de que todos moram em uma casa comum enquanto membros da mesma família.

“Alegremo-nos porque o Criador, no seu amor, sustenta os nossos humildes esforços em prol da Terra. Esta é também a casa de Deus”, conclui o Papa.

Fonte: Canção Nova

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