CELEBRAÇÕES AOS DOMINGOS:
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Livres, mesmo dentro da cela

Várias pessoas fizeram a experiência de ir aos mosteiros, conventos e de ver do “locutório” (lugar onde se pode conversar) desses lugares que, na maioria das vezes, são grades grossas, ferros que separam aquelas irmãs ou irmãos do mundo que vemos. O interessante é o comentário de quem já foi lá: aquelas pessoas aprisionadas são mais livres do que nós que estamos aqui fora.

Penso que, podemos extrair alguns ensinamentos deste tempo em isolamento. Se você está lendo este texto, hoje, muito provavelmente, você passou no mínimo sete, oito, nove meses no ventre de sua mãe. Depois, teve a possibilidade de crescer e amadurecer, de ver o brilho da luz, o toque da mãe e muitos outros estímulos que lhe forjaram até que você pudesse ler este texto e conseguir captar o que ele traz de novidades por entre esse sistema linguístico. Também nos dias atuais, estamos nós isolados, ora acompanhados, ora não, mas compulsoriamente precisamos viver “consigo mesmo”.

Livres dentro de nós mesmos

Lendo um pouco sobre Sir. Isaac Newton*, que viveu isolado por um ano (1665-1666), devido à peste que assolava a Inglaterra e que, inclusive, várias cidades foram evacuadas e muitos estabelecimentos foram fechados, como a
Universidade de Cambridge, em junho de 1665. O interessante é que: Newton volta para Woolsthorpe antes de 7 de agosto de 1665, e esse período foi chamado de “ano das maravilhas”, onde ele escreveu suas grandes descobertas da área da matemática, na óptica, na mecânica e na teoria da gravitação. Poderíamos citar grandes homens e mulheres que, no isolamento, acabaram por viver bem e livremente se dedicaram aos nobres estudos ou cuidados familiares.

Escrevi tudo isso para aguçar em você a esperança de dias melhores, porque é possível viver a liberdade dentro da cela. Dentro de claustros, mosteiros ou nas celas do nosso interior podemos viver em contato com Deus. Podemos ser livres dentro de nós mesmos! O mais importante é estarmos aberto às novidades que podem brotar desse tempo em que há mais silêncio.

Talvez, você não descubra ou acrescente algo a alguma lei universal, todavia, descubra mais sobre você mesmo. Aventure-se dentro de você, leia bons livros, fuja da ociosidade que te deixa estático. Que o tédio te leve para a criatividade, porque é tempo de descobertas e de achar a liberdade dentro da cela. A liberdade não está lá fora, ela está em nós.

Há milagres que serão vistos só por você, há momentos que nunca mais voltarão acontecer – penso eu – pelo menos nesta geração. O tempo passa, na verdade, ele corre, e as maravilhas acontecem no agora! É preciso contemplar o que está à nossa volta, pois “(…) partindo da grandeza e beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, o seu Criador” (Sabedoria 13,5).

Fonte: Canção Nova

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