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A obediência de Maria e sua opção de crer na Palavra de Deus





Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu Filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer “no cumprimento” da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé. (CIC149).

O evangelho de Lucas apresenta Maria como a discípula fiel, que faz na sua limitada humanidade uma grande experiência do Verbo Encarnado. No vv. 19, do segundo capítulo de São Lucas é-nos dada uma informação quanto á atitude de Maria diante dos acontecimentos com seu Filho Jesus: “Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração”. Maria é uma mulher que ativamente vai confrontando os sofrimentos, situações, alegrias, tristezas, enfim, tudo que acontecia com a vinda do seu Filho com sua fé. Mulher sofredora como todas as outras, que não tinha voz e nem vez naquele tempo, ela é a discípula fiel do Seu Filho, por mais que não entenda plenamente o que está acontecendo.

Vemos, na Mariologia Lucana, uma realidade profunda da humanidade de Maria, que confronta o Mistério da Encarnação com a realidade vivida por ela diante do seu Filho. Observamos que no quadro da anunciação (Lc 1,26-38), Maria decide ancorar sua vida no mar infinito que é o amor de Deus. Porém, tal opção não preservará sua vida das angústias, dos medos, das ansiedades, da tristeza e do luto. Ela, ao contrário, fazendo opção de aceitar o projeto de Deus na sua vida, coloca-se como discípula que aprende com o Mestre como fazer da vida uma oferta de amor e dedicação ao outro. O que leva sua vida em direção a Deus é a sua convicção de que Ele tudo pode, tudo conhece e tudo conduz. Ela se entrega aos cuidados d´Aquele que a preservou do pecado original (“kecharitomene”) e faz da sua vida um lugar de manifestação do Amor de Deus.

A grande figura de Maria presente nesse quadro lucano é que, na sua intimidade (coração), Maria se deixa conduzir por Deus e busca compreender (meditava) tal “Mistério” que seus olhos contemplam e seus sentidos experimentam (cf. Lc 1, 46-55), mesmo que em alguns momentos não compreenda os desígnios do Pai por causa da sua humanidade carregada da imperfeição. Maria representa os pobres, os excluídos e os marginalizados da sociedade daquela época, que experimentam da misericórdia do Pai. Ela relê sua vida a partir da Palavra manifestada a Abraão, a Moisés e aos profetas que outrora tiveram a missão de exortar o povo à fidelidade ao Deus único. No quadro da anunciação, Maria relê sua vida a partir da Palavra manifestada a si mesma, e conforma sua liberdade e vontade ao projeto de salvação iniciado por Deus na libertação do êxodo (cf. Ex 1 – 34; Dt 5 – 8) e que em Cristo caminha para libertação definitiva. Deus usa de diversos caminhos para que este projeto seja concluído. Ele deseja salvar Seu povo e, no rosto de uma simples menina de Nazaré, dá a missão de gerar o nosso Salvador. Por isso, quando falamos que Maria relê sua vida, significa que ela reflete ou medita, no hoje da sua história, o que Deus deseja que se faça na sua vida, ou seja, qual é a vontade de Deus para a vida dela. E aqui fica o grande exemplo que cada filho de Deus deve tomar como referência em sua vida: a nossa opção por Cristo deve nos levar a compreender a vontade de Deus para nossa vida, no agora da nossa história, mesmo que devido à nossa pequenez e humanidade frágil, não nos permita ser fiéis a todo momento: sejamos anunciadores convictos do Mistério do Verbo Encarnado. Crer significa também apoiar-se na Palavra de Deus e deixar-se interpelar por Ela, com seu conteúdo de Amor de Deus pela humanidade. Para vencermos os momentos de deserto, de dúvidas, de tentação, de angústia, de medo, de provações, de tristeza e de luto devemos deixar nossa vida inebriar-se pelo infinito Amor de Deus. Como fazer isso? Através da escuta da Palavra de Deus que fará ancorar nossa vida nesse mar infinito que é o amor divino, percebendo que tudo está sob a guia D´Ele, mesmo que eu não compreenda os acontecimentos na minha vida.

Na teologia de Lucas, podemos retirar três pistas da vida de Maria que nos incitam à fidelidade a Deus: ouvir a Palavra de Deus (cf. Lc 1, 26-38); perseverar na oração (cf. At 1,14); colocar em prática a Palavra e fazer a vontade de Deus na minha vida. Que possamos realizar na nossa vida a Palavra que nos foi transmitida, e, vivificados pelo Espírito, façamos obras que se tornem sinal da vontade de Deus no meio da sociedade, da nossa família e da nossa comunidade. Estes ambientes se encontram cada vez mais necessitados pela Palavra que permanece e perscruta o mais íntimo do ser humano. Dê sua resposta cristã de alegria e fé do Ressuscitado. O mundo precisa conhecer esta Palavra! Ancorados na certeza de Maria que Deus tudo conduz, busquemos converter nossa vida para o caminho da glória de Cristo.

“Maria é testemunha da revelação de seu Filho, avançou na peregrinação da fé e tornou-se figura e modelo do verdadeiro discípulo.” Dom Bruno Forte

Seminarista Ednaldo Vinícius Correia de Oliveira


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