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A Festa do Nascimento

“Estando Ele ali, completaram-se os dias Dela. E (Maria) deu à luz Seu Filho primogênito, e, envolvendo-O em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para Eles na hospedaria.” (Lucas 2,6-7)

Não podemos transformar em fábula um acontecimento tão marcante para nós cristãos. A cidade estava agitada, cheia de gente, devido ao recenseamento, faltou lugar para eles. Ninguém teve compaixão de uma mulher prestes a dar à luz.

A cena do nascimento de Jesus quase sempre é romanceada; vemos a singeleza dos presépios e imaginamos que o Menino Deus veio ao mundo num aconchegante estábulo.

“Não havia lugar para eles”. Hoje, o Natal é celebrado nos quatro cantos do mundo, como uma festa “mágica”. Porém todo ano um fato se repete: falta lugar para eles. Jesus, Maria e José transformam-se em um adereço.

Na época do Natal, nossas cidades ficam agitadas, as compras ditam as regras de uma festa que está perdendo o sentido, e Jesus novamente vai nascer na periferia de nossa vida por não achar lugar.

Imitar Maria é acolher com amor o grande presente que a cada ano deseja nascer em nós. No tempo do Advento, somos convidados a “engravidar” espiritualmente de Jesus.

Encontramos em versículos tão próximos um contraste muito grande entre Isabel, que exulta de alegria em receber Maria grávida, e uma cidade que se fecha, que não acolhe, que não percebe o milagre que está diante deles.

Maria também percorre nossa vida, nossa casa, oferecendo a nós a graça de Jesus nascer em nossa história. Estamos tão ocupados, ressequidos em nossas preocupações, que deixamos de presenciar esse milagre.

O sentido teológico do nascimento de Jesus num estábulo é para manifestar o grande amor de Deus por nós: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo (…)” (Filipenses 2,6-7).

Jesus se aniquila, nascendo num presépio para nos alertar que quase tudo aquilo que consideramos importante e passamos a vida toda correndo atrás, talvez não seja imprescindível para nossa felicidade.

O que de fato importa: a felicidade do ter e do poder, pregada pelos falsos profetas, ou a certeza de em tudo nos assemelharmos a Cristo e a sua mãe, Maria Santíssima?

Mesmo em situação precária, em condições de extrema pobreza, Maria dá à luz o Príncipe dos príncipes. Nada tira dela a alegria de ter Deus em seus braços. Não é Deus que embala Maria, é ela que afaga o todo Poderoso.

Todas as vezes que nos empenhamos para que Deus se faça presente e atuante em nossa vida, somos capazes de ter o Senhor tão próximo a nós que até O podemos tocar.

Quando uma criança nasce, é necessário que seus pais ou responsáveis também façam a experiência de nascer de novo. Não dá para continuar sendo os mesmo, com as mesmas atitudes, os mesmos vícios… O nascimento implica uma conversão.

O nascimento de um filho nos torna, ou deveria nos tornar, mais responsáveis, amadurecidos. São João Batista, para testemunhar o Filho de Deus, usou uma expressão linda que pode ser aplicada a todos os pais: “Nisso consiste a minha alegria que agora se completa. Importa que Ele cresça e que eu diminua.” (João 3,29b-30).

Ter um filho pequeno nos braços é morrer para si. Os laços paternos e maternos imprimem caráter a nossa personalidade. Nosso único desejo é que o fruto viva, seja feliz; somos capazes de dar a própria vida. Assim, experimentamos o amor que Deus tem por nós seus filhos.

Maria e José iniciam sua trajetória de alegria e dores, caminho de todos os pais. Eles olham Jesus recém-nascido e só conseguem sonhar. O medo, a incerteza, as dificuldades dão lugar à esperança. Maria está unida pela carne a Jesus; nada será capaz de “divorciar” Mãe e Filho.

Com José e Maria diante do presépio, somos convidados a nos comprometer com Jesus Menino que nasce em nós. É necessário que ele cresça em nosso interior na medida em que vamos renascendo para uma vida nova.

Paróquia Sagrado Coração de Jesus - Rua Cel. Aurelino,8 - Formiga-MG 37 3321-2955